Kelly Slater é mesmo o fenômeno absoluto da história do Circuito Mundial. Aos 40 anos de idade, surfou com maestria as esquerdas de Cloudbreak para colecionar a 49ª vitória em etapas do ASP World Tour. Quando o onze vezes campeão mundial conquistou o primeiro título, em 1992, o seu adversário na final do Volcom Fiji Pro não tinha nem nascido.

O paulista Gabriel Medina, 19 anos, apontado como o fenômeno da atualidade, impressionou mais uma vez ao barrar o novo líder do ranking, Mick Fanning, 30, na semifinal. Ele chegou a quebrar duas pranchas durante a bateria, mas venceu. Já na decisão do título, Slater garantiu sua terceira vitória nas Ilhas Fiji nas duas ondas que pegou logo no início e Medina terminou como vice-campeão em sua estreia nos tubos de Tavarua.

“Estou muito feliz com este resultado. As ondas aqui foram muito boas durante toda a semana e gostei bastante de tudo neste lugar. Eu não comecei bem a temporada, em termos de resultados, então estou muito feliz por chegar à final nesta etapa com altas ondas. E parabéns para o Kelly (Slater), que surfou de forma incrível todo o evento”, diz Gabriel Medina.

Gabriel Medina, Volcom Fiji Pro 2012, Cloudbreak, Fiji. Foto: © ASP / Kirstin.

Gabriel Medina tem seu melhor resultado do ano. Foto: © ASP / Kirstin.

Com os 8.000 pontos do segundo lugar, Medina saltou da 29ª para a 13ª posição no ranking do ASP Tour 2012. Esta foi a primeira vez que Slater conseguiu derrotar a sensação do surfe brasileiro em baterias homem a homem na divisão de elite. No ano passado, eles se encontraram duas vezes, sempre nas quartas de final.

Gabriel Medina ganhou por combinação, com o adversário precisando de mais de 10 pontos, ou seja, uma combinação de duas notas. Curiosamente, foram nas duas etapas que Medina venceu no seu primeiro ano, na França e em San Francisco, nos Estados Unidos.

“Estava na hora de ganhar dele. Ele (Gabriel Medina) me derrotou na metade do ano passado e provavelmente vai continuar batendo todos pelos próximos 20 anos. Ele pode fazer tudo em qualquer condição de mar e acho que ele provou para muita gente isso nesta semana em Restaurants e aqui em Cloudbreak”, confessa Kelly Slater.

Kelly Slater, Volcom Fiji Pro 2012, Cloudbreak, Fiji. Foto: © ASP / Kirstin.

Kelly Slater domina as ondas de Fiji como ninguém. Foto: © ASP / Kirstin.

Slater é, talvez, o surfista da elite que mais conhece as ondas da ilha de Tavarua. Ele encabeçou o movimento para parar as quartas de final no domingo de muito vento e a segunda-feira amanheceu com esquerdas lisas de 4 a 6 pés e séries maiores, com tubos e paredes para as manobras. Kelly disputou a primeira bateria do dia e bateu fácil o australiano Julian Wilson por 18.57 a 7.76 pontos.

Mineirinho barrado – O paulista Adriano de Souza entrou no segundo duelo do dia para fechar as quartas de final e começou bem com nota 8.83. Foi aumentando a vantagem a cada onda até totalizar 15.76 pontos. O americano CJ Hobgood só tinha uma nota 6.67, mas no último minuto pegou o tubo mais incrível do dia até ali para superar Mineirinho com nota 9.97. Com ela, virou o placar para 16.14 a 15.76 pontos. Com a derrota, Adriano permanece em quarto lugar no ranking, agora atrás de Mick Fanning, Kelly Slater e Joel Parkinson.

Em seguida começaram as semifinais e a bateria de Gabriel Medina contra Mick Fanning aconteceu numa hora ruim do mar, com grandes intervalos entre as séries e poucas ondas surfadas. O australiano não pegou nada, só uma fraca nota 4.90. E Medina praticamente garantiu a vitória na sua primeira onda, que foi boa e valeu 8.43.

Nota 10 recorde – As ondas voltaram a bombar na bateria seguinte, com Kelly Slater parecendo iluminado na segunda-feira. Era a reedição da última final em Fiji em 2008 contra CJ Hobgood e o resultado se repetiu, com Slater ganhando a sua segunda nota 10 em Tavarua em uma esquerda sensacional, com várias seções de tubos completados por manobras, em uma harmonia perfeita. Ele ainda surfou outra onda muito boa para estabelecer um novo recorde para o Volcom Fiji Pro de 19.50 pontos.

“Foi certamente o melhor que eu pude surfar aqui. Os tubos e as seções se alinharam para mim e eu fui capaz de fazer o que fiz. Foi como uma tela perfeita para mim”, revela Kelly Slater.

CJ Hobgood, Volcom Fiji Pro 2012, Cloudbreak, Fiji. Foto: © ASP / Kirstin.

CJ Hobgood encontra tubo salvador nos últimos instantes das quartas. Foto: © ASP / Kirstin.

Conhecimento de Fiji – Mostrando todo o seu conhecimento de Cloudbreak, ele preferiu não utilizar o intervalo de 30 minutos para a final e pediu para começar logo. Pois foi no início da decisão que ele liquidou Gabriel Medina em suas duas primeiras e únicas ondas surfadas durante os 30 minutos da bateria. A primeira foi só com manobras potentes de backside sempre no mais crítico da onda que valeram nota 8.33.

Medina respondeu com 8.60 em um tubo limpo, na saída emendou um roundhouse cutback com estilo e outra manobra jogando água, ainda foi acelerando a prancha para tentar o aéreo que não completou, mas valeu a liderança. Só que ela não dura muito, porque Slater veio num tubo incrível, sumiu completamente, saiu com velocidade e foi manobrando na onda, uma, duas, três vezes, para retomar a ponta com nota 9.83.

Ele abriu 9.57 pontos de vantagem nos 10 primeiros minutos da bateria e depois só ficou sentado na prancha esperando o tempo passar. Parecia tudo combinado. Slater pegou a prioridade de escolha da próxima onda e elas pararam de entrar em Cloudbreak. Ainda vieram algumas séries, mas todas com as ondas mexidas e fechando rápido. A bateria acabou e a 49ª vitória de Kelly Slater foi consumada por 18.16 a 10.87 pontos.

Adriano de Souza, Volcom Fiji Pro 2012, Cloudbreak, Fiji. Foto: © ASP / Kirstin.

Adriano de Souza fica com a quinta colocação. Foto: © ASP / Kirstin.

Briga pelo título – Mesmo com a ausência na etapa brasileira do WCT, o Billabong Rio Pro, Slater está na briga direta por mais um título mundial. Ele subiu do oitavo lugar para dividir a vice-liderança no ranking com Joel Parkinson. A diferença é que o australiano está computando quatro resultados, contra três do campeão mundial.

Slater agora vai defender o título nas duas próximas etapas do ASP World Tour 2012. No ano passado, ele venceu o Billabong Pro Teahupoo, marcado para os dias 16 a 27 de agosto no Tahiti, bem como o Hurley Pro Trestles, que acontecerá de 16 a 22 de setembro nos Estados Unidos.

“Eu acho que todo mundo que compete no circuito quer vencer. Se você está ganhando campeonatos, então você está disputando títulos mundiais. Neste ponto da minha carreira, eu estou bem mais focado no surfe mesmo. As ondas bombaram hoje (segunda-feira) e alguns caras ganharam, outros perderam, mas todo mundo fica feliz se as ondas são boas”, finaliza Slater.

Gabriel Medina e Kelly Slater, Volcom Fiji Pro 2012, Cloudbreak, Fiji. Foto: © ASP / Robertson.

Gabriel Medina e Kelly Slater comemoram no pódio. Foto: © ASP / Robertson.

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Vídeo do quinto dia:

Vídeo do quarto dia:

Vídeo do terceiro dia:

Vídeo do segundo dia:

Vídeo do primeiro dia:

Volcom Fiji Pro 2012

Resultado final

1 Kelly Slater (EUA)
2 Gabriel Medina (BRA)
3 CJ Hobgood (EUA)
3 Mick Fanning (AUS)
5 Adriano de Souza (BRA)
5 Julian Wilson (AUS)
5 Taj Burrow (AUS)
5 John John Florence (HAW)
9 Heitor Alves (BRA)
13 Miguel Pupo (BRA)
13 Alejo Muniz (BRA)
25 Raoni Monteiro (BRA)
25 Willian Cardoso (BRA)

Top-22 do ASP World Tour 2012 – 4 etapas

1 Mick Fanning (AUS) – 24.750 pontos
2 Kelly Slater (EUA) – 23.700
2 Joel Parkinson (AUS) – 23.700
4 Adriano de Souza (BRA) – 22.400
5 Taj Burrow (AUS) – 20.950
5 John John Florence (HAW) – 20.950
7 Josh Kerr (AUS) – 19.950
8 Jordy Smith (AFR) – 17.450
9 Owen Wright (AUS) – 16.150
10 Julian Wilson (AUS) – 14.900
11 Jeremy Flores (FRA) – 14.000
12 C. J. Hobgood (EUA) – 12.750
13 Gabriel Medina (BRA) – 10.750
14 Heitor Alves (BRA) – 10.250
15 Adrian Buchan (AUS) – 9.200
15 Tiago Pires (PRT) – 9.200
17 Michel Bourez (TAH) – 9.000
18 Brett Simpson (EUA) – 8.000
18 Miguel Pupo (BRA) – 8.000
20 Alejo Muniz (BRA) – 7.950
20 Kai Otton (AUS) – 7.950
22 Bede Durbidge (AUS) – 7.000
26 Raoni Monteiro (BRA) – 4.500
32 Jadson André (BRA) – 3.250
36 Willian Cardoso (BRA) – 1.000