Um mar épico, com séries de 12 a 15 pés em Pipeline, abriu o Billabong Pipe Masters na quinta-feira de condições extremas para o surfe no Hawaii. O céu azul e a praia lotada completaram o cenário perfeito para o início do último desafio do ano no templo sagrado do esporte, no North Shore da ilha de Oahu.

Os havaianos comandaram o espetáculo. John John Florence surfou o primeiro tubo nota 10. Seus 18.06 pontos na segunda fase, só não superaram os 18.16 de Evan Valiere na rodada inicial. Eles foram os melhores do dia de ondas históricas no Hawaii.

“As ondas estão bombando. Está rolando Pipeline como eu não via há um bom tempo. Definitivamente existe muita pressão para fazer bonito com todos meus amigos e familiares aqui. Eu quero fazer meu melhor. Estava muito nervoso antes da primeira bateria, mas agora estou feliz por ter me dado bem”, comemora John John Florence, líder da Tríplice Coroa.

John John Florence, Billabong Pipe Masters 2011, Pipeline, Oahu, Hawaii. Foto: © ASP / Cestari.

John John Florence apresenta total domínio sobre as ondas do seu quintal e arranca nota 10. Foto: © ASP / Cestari.

Os donos da casa atropelaram os tops da elite que foram escalados nas duas primeiras fases do campeonato, realizado com um formato diferente das outras etapas do ASP World Tour. Este é o único com 48 competidores, para haver maior participação de surfistas do Hawaii.

Dos doze convidados da ilha, oito estrearam com vitórias na primeira fase. Destes, só dois não passaram também pelos pré-classificados que entraram na segunda das três rodadas de doze baterias, em que foram divididos todos os participantes. A avalanche havaiana agora vai pra cima dos top-12 do ranking unificado da ASP.

Evan Valiere, Billabong Pipe Masters 2011, Pipeline, Oahu, Hawaii. Foto: © ASP / Cestari.

Evan Valiere exibe conhecimento local e tem a maior soma do dia em bombas de respeito. Foto: © ASP / Cestari.

Os principais cabeças de chave só entram na terceira fase, que ficou para abrir a sexta-feira a partir das 16 horas (horário de Brasília) no Hawaii. Além de Kelly Slater, Joel Parkinson, Owen Wright, Jordy Smith, entre outros, dois brasileiros fazem parte deste grupo que escapou de encarar as difíceis condições do primeiro dia em Pipeline gigante: os paulistas Adriano de Souza e Gabriel Medina. O catarinense Alejo Muniz estava escalado na segunda bateria, mas acabou substituído pelo havaiano Kalani Chapman.

O Brasil não começou bem, com os quatro que entraram nas fases iniciais não passando das suas primeiras apresentações na etapa que fecha a temporada 2011 do ASP World Tour no Hawaii. Com o título mundial conquistado por antecipação por Kelly Slater, a disputa principal no Billabong Pipe Masters era pelos últimos lugares na elite que vai iniciar o ASP World Title Race no ano que vem. Este grupo será formado pelos 32 primeiros colocados no ranking unificado da ASP, depois desta etapa que encerra o ano no Hawaii.

Ian Walsh, Billabong Pipe Masters 2011, Pipeline, Oahu, Hawaii. Foto: © ASP / Cestari.

Havaiano Ian Walsh enfrenta uma verdadeira avalanche. Foto: © ASP / Cestari.

Convites especiais – Entre os convidados para a primeira rodada, a ASP reservou algumas vagas para os surfistas que não são da elite e tinham chances de entrar no G-32 do ASP World Ranking. Uma delas foi para o catarinense Willian Cardoso, que ocupava a 35ª posição no ranking e precisava vencer três baterias em Pipeline para reforçar o Brasil no ano que vem. Só que ele não conseguiu surfar nenhum tubo na bateria contra o veterano Shane Dorian. Mesmo sendo especialista em ondas grandes, o havaiano só somou 6.40 pontos nas duas notas computadas, contra apenas 1.94 do brasileiro.

Os três que entraram junto com os pré-classificados da segunda fase também sucumbiram nas condições extremas da quinta-feira. O paulista Miguel Pupo perdeu por 13.60 x 3.70 para o recordista Evan Valiere. O carioca Raoni Monteiro igualmente não achou as ondas contra Jamie O´Brien, que é um craque em Pipeline e também sofreu com a irregularidade do mar, com o placar de 5.33 x 2.83 pontos comprovando a dificuldade encontrada por todos os surfistas.

O único que ainda pegou bons tubos foi o potiguar Jadson André, na última bateria do dia. Foi quando entrou uma das maiores séries da quinta-feira, com ondas de cerca de 5 metros de altura fechando tudo em Banzai Pipeline. Apesar do sufoco, ele chegou perto da primeira vitória brasileira no Billabong Pipe Masters, mas não conseguiu ficar tão deep nos tubos que surfou e foi batido pelo norte-americano CJ Hobgood por 9.70 a 9.27 pontos.

Jadson André, Billabong Pipe Masters 2011, Pipeline, Oahu, Hawaii. Foto: © ASP / Kirstin.

Apesar de ser eliminado por uma pequena diferença de pontos, Jadson André demonstra coragem e atitude no Hawaii. Foto: © ASP / Kirstin.

Última vaga no G-32 – Se Willian Cardoso não conseguiu entrar no G-32, Jadson, Raoni e Miguel estão confirmados na elite que vai iniciar o ASP World Title Race 2012, assim como os cabeças de chave do Brasil que estreiam nesta sexta-feira em Pipeline, Adriano de Souza e Gabriel Medina, além de Alejo Muniz e do cearense Heitor Alves, que está tratando de uma contusão no joelho e não foi competir na Tríplice Coroa Havaiana. Apenas uma vaga ainda está em jogo para a elite do ano que vem.

Vice-campeão do Billabong Pipe Masters em 2010, o veterano Kieren Perrow tem que alcançar as quartas de final para superar o também australiano Kai Otton, que é o último da lista. Com a atualização dos resultados da quinta-feira no ASP World Ranking, a troca dos seus 8.000 pontos do ano passado pelos 1.750 que está computando com a classificação para a terceira fase, fez Perrow despencar da 25ª para a 37ª posição. Para voltar ao G-32, ele precisa no mínimo do quinto lugar neste ano, que vale 5.250 pontos.

Billabong Pipe Masters 2011, Pipeline, Oahu, Hawaii. Foto: © ASP / Cestari.

Cenas como esta puderam ser vistas o dia todo, nos mais diversos ângulos. Foto: © ASP / Cestari.

Baterias simultâneas – Para aproveitar as condições épicas da quinta-feira, foi utilizado o sistema “dual heats format”, com duas baterias disputadas simultaneamente no mesmo pico. A seguinte é iniciada quando decorrido metade do tempo da anterior e sempre ficam quatro surfistas no mar, porém a disputa é contra o adversário da sua bateria.

Este formato permanece para a rodada de estreia dos cabeças de chave que abre a sexta-feira. No entanto, a partir da quarta fase será só uma bateria por vez na água. Com as ondas excelentes deste swell, já existe até uma expectativa de encerrar o Billabong Pipe Masters no sábado, bem antes do prazo para o término do evento que vai até o dia 20.

O primeiro brasileiro a competir nesta sexta-feira será o paulista Adriano de Souza, que defende um lugar no seleto grupo dos top-5 no ranking da corrida do título mundial de 2011 na terceira bateria do dia. Mineirinho também tem chances de título na Tríplice Coroa Havaiana, cuja disputa é liderada por John John Florence. Só que o seu primeiro adversário é uma pedreira e já tem troféu de Pipe Masters no currículo, o havaiano Jamie O´Brien.

O também paulista Gabriel Medina entra na sexta bateria com o sul-africano Travis Logie, que já está aliviado por ter confirmado o seu nome no G-32 para o ASP Dream Tour 2012 na quinta-feira. Se for mesmo utilzado o sistema “dual heat format” na terceira fase, os dois vão acabar dividindo o “line-up” com Kelly Slater, que faz a sua estreia no duelo anterior com o havaiano Marcus Hickman.

Tanner Gudauskas, Billabong Pipe Masters 2011, Pipeline, Oahu, Hawaii. Foto: © ASP / Kirstin.

Porém, Tanner Gudauskas não gostou nem um pouco de ver a onda por este ângulo. Foto: © ASP / Kirstin.

Billabong Pipe Masters 2011

Terceira fase – entrada dos cabeças de chave

1 Joel Parkinson (AUS) x Aamion Goodwin (HAW)
2 Kalani Chapman (HAW) x Dusty Payne (HAW)
3 Adriano de Souza (BRA) x Jamie O´Brien (HAW)
4 Julian Wilson (AUS) x CJ Hobgood (EUA)
5 Damien Hobgood (EUA) x John John Florence (HAW)
6 Kelly Slater (EUA) x Marcus Hickman (HAW)
7 Gabriel Medina (BRA) x Travis Logie (AFR)
8 Michel Bourez (TAH) x Adam Melling (AUS)
9 Owen Wright (AUS) x Evan Valiere (HAW)
10 Jordy Smith (AFR) x Shane Dorian (HAW)
11 Josh Kerr (AUS) x Kieren Perrow (AUS)
12 Taj Burrow (AUS) x Ian Walsh (HAW)

Billabong Pipe Masters 2011, Pipeline, Oahu, Hawaii. Foto: © ASP / Kirstin.

Reme sempre com comprometimento, ou o preço será cobrado. Foto: © ASP / Kirstin.

Segunda fase

1 Marcus Hickman (HAW) 16.50 x 9.30 Adrian Buchan (AUS)
2 Evan Valiere (HAW) 13.60 x 3.70 Miguel Pupo (BRA)
3 Ian Walsh (HAW) 16.06 x 10.17 Bede Durbidge (AUS)
4 John John Florence (HAW) 18.07 x 14.67 Kai Barger (HAW)
5 Aamion Goodwin (HAW) 2.20 x 2.13 Taylor Knox (EUA)
6 Jamie O´Brien (HAW) 5.33 x 2.83 Raoni Monteiro (BRA)
7 Shane Dorian (HAW) 10.50 x 1.90 Brett Simpson (EUA)
8 Adam Melling (AUS) 9.64 x 8.84 Mason Ho (HAW)
9 Kieren Perrow (AUS) 14.50 x 5.90 Tanner Gudauskas (EUA)
10 Dusty Payne (HAW) 9.20 x 6.57 Kolohe Andino (EUA)
11 Travis Logie (AFR) 5.80 x 5.67 Tiago Pires (PRT)
12 CJ Hobgood (EUA) 9.70 x 9.27 Jadson André (BRA)

Shane Dorian, Billabong Pipe Masters 2011, Pipeline, Oahu, Hawaii. Foto: © ASP / Kirstin.

Apesar do tornozelo machucado, Shane Dorian arrisca tudo nos drops. Foto: © ASP / Kirstin.

Primeira fase

1 Marcus Hickman (HAW) 13.67 x 9.46 Matt Wilkinson (AUS)
2 CJ Hobgood (EUA) 6.50 x 0.60 Kekoa Bacalso (HAW)
3 Evan Valiere (HAW) 18.16 x 6.00 Fredrick Patacchia (HAW)
4 Travis Logie (AFR) 3.57 x 2.70 Bruce Irons (HAW)
5 Ian Walsh (HAW) 13.00 x 11.63 Kai Otton (AUS)
6 Kai Barger (HAW) 9.93 x 6.33 Chris Davidson (AUS)
7 Aamion Goodwin (HAW) 10.34 x 2.84 Daniel Ross (AUS)
8 Jamie O´Brien (HAW) 14.77 x 3.24 Dane Reynolds (EUA)
9 Kolohe Andino (EUA) 5.27 x 1.17 Laurie Towner (HAW)
10 Shane Dorian (HAW) 6.40 x 1.94 Willian Cardoso (BRA)
11 Tanner Gudauskas (EUA) 4.76 x 2.63 Jack Freestone (AUS)
12 Mason Ho (HAW) 9.00 x 3.93 Hank Gaskell (HAW)

Ian Walsh, Billabong Pipe Masters 2011, Pipeline, Oahu, Hawaii. Foto: © ASP / Cestari.

Ian Walsh deixa a caverna despencar. Foto: © ASP / Cestari.

G-32 do ASP WORLD RANKING para o Dream Tour 2012
(Pontuação atualizada, com substituição dos resultados do Pipe Masters 2010 pelos da quinta-feira no Hawaii)

1 Kelly Slater (EUA) – 62.900 pontos
2 Joel Parkinson (AUS) – 48.100
3 Taj Burrow (AUS) – 47.820
4 Owen Wright (AUS) – 46.150
5 Adriano de Souza (BRA) – 45.900
6 Gabriel Medina (BRA) – 44.220
7 Julian Wilson (AUS) – 43.945
8 Jordy Smith (AFR) – 42.100
9 Alejo Muniz (BRA) – 38.600
10 Josh Kerr (AUS) – 37.370
11 Michel Bourez (TAH) – 35.600
12 Damien Hobgood (EUA) – 33.220
13 Mick Fanning (AUS) – 30.600
14 Jeremy Flores (FRA) – 30.320
15 Heitor Alves (BRA) – 30.145
16 Miguel Pupo (BRA) – 30.055
17 John John Florence (HAV) – 29.355
18 Adrian Buchan (AUS) – 27.030
19 Bede Durbidge (AUS) – 26.900
20 Raoni Monteiro (BRA) – 25.660
21 Brett Simpson (EUA) – 25.650
22 Adam Melling (AUS) – 25.450
23 Kolohe Andino (EUA) – 25.245
24 Tiago Pires (PRT) – 24.450
25 Jadson André (BRA) – 23.640
26 Matt Wilkinson (AUS) – 23.600
27 Patrick Gudauskas (EUA) – 23.020
28 Dusty Payne (HAV) – 22.505
29 Travis Logie (AFR) – 22.325
30 CJ Hobgood (EUA) – 22.300
31 Taylor Knox (EUA) – 21.900
32 Kai Otton (AUS) – 21.650
————–brigando pela última vaga:
37 Kieren Perrow (AUS) – 18.750 pontos (chega a 22.250 nas quartas de final)

Billabong Pipe Masters 2011, Pipeline, Oahu, Hawaii. Foto: © ASP / Kirstin.

O público já aguarda ansioso por mais um dia de show. Foto: © ASP / Kirstin.